O que é a Doença de Newcastle e como o vírus pode afetar humanos?

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um foco da Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. O caso foi confirmado em 18 de outubro, e a propriedade, que abriga cerca de 6 mil aves, foi interditada para impedir a disseminação do vírus. Segundo o ministério, os animais permaneceram na granja e não foram destinados ao consumo.
A doença afeta principalmente aves domésticas e silvestres. A transmissão para humanos é rara e está associada ao contato direto com aves infectadas ou materiais contaminados. Quando ocorre, a infecção costuma provocar sintomas leves, especialmente nos olhos. O risco é baixo, mas não é nulo.
Como o vírus age no organismo humano
A Doença de Newcastle é causada por uma variante virulenta do paramixovírus aviário tipo 1 (APMV-1). Nas aves, o agente pode comprometer os sistemas respiratório, digestivo e nervoso. Nos seres humanos, os casos conhecidos apresentam principalmente manifestações oculares.
A infecção pode ocorrer quando secreções de aves infectadas ou materiais contaminados entram em contato com os olhos. O vírus pode atingir a conjuntiva, membrana que reveste a parte branca do olho e a superfície interna das pálpebras, provocando inflamação.
Os principais sintomas são:
- vermelhidão nos olhos;
- lacrimejamento excessivo;
- inchaço das pálpebras;
- irritação e desconforto ocular.
Os sintomas podem surgir rapidamente após a exposição. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), a conjuntivite associada ao vírus costuma ser leve e autolimitada, ou seja, tende a desaparecer sem complicações duradouras.
O risco é maior para trabalhadores de granjas, veterinários e profissionais de laboratório que manipulam aves infectadas sem proteção adequada. Por isso, o uso de equipamentos de proteção individual e os cuidados de higiene são importantes no manejo de animais suspeitos.
Cuidados do consumidor: carne e ovos são seguros?
De acordo com o Ministério da Agricultura, o consumo de carne de aves e ovos submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro. O foco em Santa Catarina não significa que os produtos avícolas comercializados regularmente estejam contaminados.
A orientação ao consumidor é:
- comprar produtos de origem conhecida;
- observar a inspeção sanitária;
- cozinhar adequadamente carnes e ovos.
Pessoas que trabalham diretamente com aves doentes devem evitar o contato desprotegido com secreções e procurar orientação de saúde caso apresentem sintomas após uma exposição.
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Medidas adotadas em Santa Catarina
A principal preocupação com a doença está na transmissão entre aves, que pode ocorrer por secreções respiratórias, fezes, água, ração, equipamentos e roupas contaminadas. O vírus pode se espalhar rapidamente entre animais suscetíveis, o que exige contenção e vigilância sanitária.
Após a confirmação do foco, o estabelecimento foi interditado e a movimentação de aves foi suspensa. O Mapa informou que as ações incluem a eliminação do foco, a limpeza e a desinfecção da propriedade e o monitoramento epidemiológico de cerca de 133 estabelecimentos em Nova Itaberaba e municípios vizinhos.
A ocorrência também foi comunicada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil. Para a população em geral, o risco de infecção é baixo, e o ministério mantém a orientação de que produtos avícolas inspecionados podem continuar sendo consumidos.





