Vice do PSTU critica ZFM e pavimentação da BR-319 no Amazonas

A candidata a vice-governadora do Amazonas pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Juliana Frota, criticou o modelo atual da Zona Franca de Manaus (ZFM) e a pavimentação da BR-319. As declarações foram dadas nesta segunda-feira (24/8), durante entrevista ao programa Em Alta, da Rádio Antena 1 Manaus.
Segundo Juliana, os incentivos fiscais concedidos às empresas instaladas na Zona Franca de Manaus deveriam estar vinculados a contrapartidas para a população, como melhores salários, desenvolvimento tecnológico e preservação ambiental. Na avaliação da candidata, porém, essas obrigações não estariam sendo cumpridas.
“Da forma como está, não”, respondeu Juliana ao ser questionada se considera adequado o atual modelo da Zona Franca de Manaus.
Ela afirmou que os benefícios fiscais deveriam garantir melhores condições aos trabalhadores e citou diferenças salariais entre profissionais do Polo Industrial de Manaus e trabalhadores de setores semelhantes em outros estados.
“Na prática, todos esses incentivos fiscais só servem para essas empresas estarem aqui sem pagar nada. A não ser um salário mínimo de miséria para quem está trabalhando lá no distrito, um salário muito baixo comparado, inclusive, aos mesmos setores produtivos instalados em outros estados do Brasil”, declarou.
Pavimentação da BR-319
Durante a entrevista, Juliana também se posicionou contra a pavimentação ou repavimentação da BR-319. Para ela, a defesa da rodovia atende principalmente a interesses econômicos de grandes grupos empresariais.
A candidata argumentou que, caso a prioridade fosse melhorar o deslocamento da população do interior, o Amazonas deveria ampliar investimentos em transporte fluvial. Ela citou municípios que dependem de Manaus para serviços de saúde e que, segundo ela, ainda enfrentam dificuldades de acesso à capital.
“Quem está interessado em liberar a BR-319 são os que têm interesses econômicos. Infelizmente, esses grandes grupos econômicos que estão interessados na liberação da BR falam que é para beneficiar o povo. Mas, se estivessem realmente preocupados com a locomoção e o transporte do povo do Amazonas, já se teria pensado aqui no nosso estado em um sistema de transporte fluvial para conectar os vários municípios que existem, que não têm conexão com a capital, que necessitam vir para Manaus para atendimento à saúde, para vir fazer tratamento aqui, e não têm como”, declarou.
Juliana também relacionou a pavimentação da rodovia aos interesses do agronegócio e afirmou que a obra poderia estimular a expansão da fronteira agrícola e o desmatamento no sul do Amazonas.
PSTU critica falta de espaço em debates
Juliana também defendeu a participação de diferentes partidos nos debates eleitorais, mas fez uma distinção entre legendas que apresentam propostas políticas e aquelas que, segundo ela, funcionam apenas para negociações eleitorais.
“Porque quando a gente discute democracia e a liberdade de se manifestar, de se organizar politicamente, é a gente realmente ter esse espaço para o diálogo”, afirmou.
A candidata criticou ainda a ausência de candidaturas menores em debates promovidos por grandes veículos de comunicação. Segundo ela, a falta de espaço impede que os eleitores conheçam propostas diferentes das apresentadas pelos partidos com maior estrutura.





