Coronel Rosses fala sobre direita no AM, PL e afastamento com Alberto Neto

O vereador de Manaus Coronel Rosses (PL) fez uma avaliação dos bastidores das eleições de 2026, apontou falhas na articulação da direita amazonense e criticou a distribuição de recursos partidários durante a campanha. Em entrevista ao programa Onda News, nesta quarta-feira (28/10), o parlamentar também falou sobre o desgaste na relação com o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), reconheceu erros na própria estratégia eleitoral e comentou suas iniciativas para melhorar a segurança pública da capital.
Ao analisar o desempenho da direita no Amazonas, Rosses afirmou que a falta de uma liderança capaz de unificar o grupo contribuiu para enfraquecer as candidaturas. Segundo ele, havia uma divisão entre a estrutura partidária do PL e os demais integrantes da direita, o que dificultou a construção de uma estratégia conjunta.
“O principal fato que ocasionou isso foi uma falta de liderança”, declarou.
Na avaliação do vereador, a ausência de uma unidade de comando comprometeu a articulação política durante a campanha. Ele citou exemplos de outros estados para argumentar que a presença de uma liderança capaz de coordenar as candidaturas poderia ter contribuído para um desempenho eleitoral diferente.
Rosses também afirmou que trabalhou intensamente pela candidatura de Alberto Neto ao Senado, inclusive durante viagens ao interior do Amazonas ao lado da candidata ao governo Professora Maria do Carmo (PL). Segundo o parlamentar, ele e outros candidatos do grupo divulgavam o nome de Alberto Neto nas agendas de campanha, mas essa atuação não teria ocorrido da mesma forma entre todos os integrantes da direita.
“Ninguém ajudou o Capitão Alberto Neto mais do que eu”, afirmou.
Rosses atribui parte das dificuldades à estratégia
Rosses argumentou que parte desses votos poderia ter sido direcionada a Alberto Neto. Nesse contexto, explicou que defendeu o voto em Alberto Neto como primeira opção para o Senado e em Plínio Valério como segunda, numa tentativa de conter o avanço eleitoral de Wilson Lima no interior.
O vereador também afirmou que Alberto Neto interpretou sua posição de maneira equivocada, como se tivesse ocorrido uma traição política. Rosses rejeitou essa interpretação e disse que não aceita ser chamado de traidor.
Ao comentar o resultado da própria candidatura a deputado federal, o parlamentar adotou um tom diferente e assumiu a responsabilidade pelo desempenho nas urnas.
“O único culpado da minha derrota de ter tido 39 mil votos fui eu”, declarou.
Rosses afirmou que sua estratégia não foi a mais eficiente, mas considerou expressivo o crescimento em relação à votação que recebeu na eleição para vereador. Segundo ele, saiu de aproximadamente 7 mil votos na disputa municipal para quase 39 mil votos na eleição federal.
Apesar de defender sua atuação durante a campanha, o vereador revelou que a relação com Alberto Neto está distante.
“Não há hoje nenhum contato entre eu e o capitão. Se ele não quiser falar comigo, não tem problema nenhum”, afirmou.
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Distribuição de recursos partidários entra na avaliação
Rosses também analisou as dificuldades para a formação de alianças partidárias no Amazonas. Segundo ele, quando o PL precisou organizar sua composição eleitoral, os partidos que poderiam integrar o grupo já estavam alinhados a outros projetos políticos no estado.
O vereador citou os grupos ligados a David Almeida, Omar Aziz, Wilson Lima e Roberto Cidade como exemplos de forças que já contavam com partidos que, no cenário nacional, poderiam compor uma aliança com a direita.
Diante desse cenário, Rosses considerou inevitável que o Novo disputasse as eleições sem uma composição mais ampla. Apesar disso, avaliou que faltou estratégia para fortalecer as candidaturas da legenda.
Na avaliação do parlamentar, havia nomes com potencial eleitoral que poderiam ter recebido mais estrutura e apoio durante a campanha.
O vereador também questionou a distribuição dos recursos partidários. Segundo ele, mais de 70% a 75% da verba teria sido destinada a determinados candidatos, enquanto outros ficaram com menos suporte financeiro.
Rosses defendeu uma divisão mais equilibrada dos recursos e afirmou que o fortalecimento de outras candidaturas proporcionais poderia ter contribuído para ampliar a votação de Alberto Neto na disputa pelo Senado.
“Foi muito pouco o que faltou para o Alberto Neto”, declarou.
Vereador quer aproximar Câmara e Secretaria de Segurança Pública
Além dos assuntos eleitorais, Coronel Rosses comentou sua atuação como presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador explicou que apresentou um requerimento para convocar, em caráter de convite, o novo secretário municipal de Segurança Pública, Sargento Loiola, a fim de conhecer os projetos e as propostas para a área.
Segundo Rosses, a mudança no comando da secretaria motivou a iniciativa. Ele afirmou que entrou em contato com Loiola para explicar o objetivo da reunião e destacou que pretende estabelecer um diálogo institucional, independentemente de posições partidárias ou de alinhamento com a administração municipal.
“Eu achei conveniente, eu achei tempestivo nós chamarmos o Sargento Loiola”, afirmou.
O vereador também relatou iniciativas anteriores para buscar melhorias na segurança pública de Manaus. Entre elas, citou a vinda do vice-prefeito de São Paulo à capital amazonense para apresentar um projeto de segurança pública desenvolvido na cidade paulista.
Rosses afirmou que a proposta não avançou na Prefeitura de Manaus. Ele também mencionou uma visita de uma comissão de guardas municipais ao Rio de Janeiro, com o objetivo de conhecer experiências de outras corporações, buscar capacitação e trazer novas ideias para a capital amazonense.
Outra iniciativa citada foi a reserva de recursos de suas emendas parlamentares para a compra de equipamentos de proteção individual destinados à Guarda Municipal, medida que, segundo ele, também não conseguiu concretizar.





