Crise climática é vista como principal ameaça ao futuro no Brasil, diz pesquisa

As mudanças climáticas são apontadas como a maior ameaça ao futuro por 41% dos brasileiros, à frente de preocupações como desemprego, retrocesso democrático e problemas de saúde. O dado faz parte da pesquisa Termômetro do Brasil, realizada pelo Instituto Oyá em parceria com a Ipsos.
O levantamento ouviu 2 mil pessoas sobre as principais preocupações relacionadas ao futuro pessoal e familiar. A perda do emprego e o retrocesso democrático foram citados por 32% dos entrevistados. Em seguida aparecem a deterioração da saúde, com 31%, e a escassez de alimentos, com 30%.
Quando a pergunta aborda os problemas atuais, porém, as mudanças climáticas ocupam o nono lugar, mencionadas por 14% dos participantes. As ameaças ao meio ambiente aparecem na décima posição, com 10%.
Contexto no Amazonas
No Amazonas, os desafios incluem queimadas, desmatamento, degradação florestal e garimpo ilegal. Essas atividades ameaçam a biodiversidade, os rios e as comunidades tradicionais, além de reduzirem a capacidade da região de enfrentar eventos extremos, como estiagens severas.
Em setembro, a fumaça das queimadas voltou a afetar a qualidade do ar em Manaus. No dia 23, a concentração média de partículas finas atingiu 188,5 microgramas por metro cúbico, índice classificado como “péssimo” pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec).
Segundo a prefeitura, a fumaça era proveniente de queimadas registradas em diferentes áreas da Amazônia, principalmente na Região Metropolitana de Manaus e no leste do estado.
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Desinformação e inteligência artificial
A pesquisa também revelou dificuldades para identificar notícias falsas. Conforme Camila Kamilo, diretora executiva do Instituto Oyá, 78% dos participantes, em média, não conseguiram diferenciar conteúdos verdadeiros de falsos, inclusive sobre eventos climáticos extremos.
Além disso, 81% temem que ferramentas de inteligência artificial sejam utilizadas para manipular imagens e vozes por meio de deepfakes. O estudo aponta ainda que 67% confiam na tecnologia, enquanto 65% desconfiam dos governos.
Em relação à participação social, 45% confiam nas organizações não governamentais. Por outro lado, 39% descartam participar de campanhas eleitorais ou partidos políticos, e 33% rejeitam protestos de rua.
Para Camila, fortalecer a sociedade civil e a imprensa pode ampliar o acesso a informações verificadas e qualificar o debate público sobre questões ambientais, sociais e econômicas.





