Fogos de artifício na Copa: tradição pode prejudicar animais, autistas e até meio ambiente

Com a aproximação da Copa do Mundo 2026, que acontece entre 11 de junho e 19 julho, no mesmo período das festas juninas, a expectativa dos torcedores da Seleção Brasileira aumenta. E, com ela, a tradicional soltura de fogos de artifício a cada gol marcado ou vitória do Brasil. Mas o que parece ser apenas uma forma de comemorar pode trazer sérios riscos para animais, pessoas neurodivergentes, idosos, pacientes hospitalizados e até para o meio ambiente.
A queima de fogos com estampido causa poluição sonora que afeta diretamente cães, gatos e aves. Com a audição mais aguçada, os animais interpretam o barulho como ameaça e, em desespero, podem fugir, se jogar de janelas, correr para ruas e serem atropelados. O Conselho Federal de Medicina Veterinária recomenda que os tutores permaneçam próximos aos animais durante as comemorações, mantenham os pets em ambiente fechado e silencioso, e usem brinquedos para reduzir o estresse.
Em humanos, o barulho excessivo pode causar crises de ansiedade severa e desregulação sensorial, especialmente em pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Idosos e pacientes internados em hospitais também sofrem com os impactos, podendo ter distúrbios do sono, doenças cardiovasculares e digestivas.
Riscos de acidentes e mortes
Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2019 e 2022, o SUS registrou 1.548 internações por ferimentos causados por fogos de artifício, uma média de um caso por dia. Entre janeiro e setembro de 2024, foram 288 atendimentos, 6% a mais que no mesmo período de 2023. Médicos da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão alertam que o manuseio inadequado pode causar queimaduras de terceiro grau, traumas ósseos, amputações e até morte.
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Poluição ambiental
Além dos riscos à saúde, os fogos de artifício geram poluição atmosférica significativa em curto período. Eles liberam partículas finas (menos de 2,5 micrômetros), metais tóxicos como chumbo, bário e cobre, além de gases como dióxido de nitrogênio e enxofre. Essas substâncias ficam suspensas no ar e estão associadas a doenças respiratórias e cardiovasculares, como ataques cardíacos e AVC.
O que diz a lei no Brasil
Atualmente, não há uma legislação federal única proibindo fogos com estampido. Em 2023, o STF decidiu que municípios podem aprovar leis próprias para proibir a soltura de fogos que produzam barulho. No Amazonas, o único município que proíbe o uso de fogos de artifício com estampido é Manacapuru.
Cidades como Belo Horizonte, Campo Grande, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Joinville já possuem legislações que permitem apenas fogos silenciosos ou com ruído limitado. No Congresso, tramita o PL 5/2022, que proíbe fogos com barulho acima de 70 decibéis. O texto já foi aprovado no Senado e aguarda votação na Câmara.
Especialistas sugerem que torcedores optem por fogos de artifício silenciosos, que produzem apenas efeitos visuais. Também é recomendado evitar solturas próximas a hospitais, escolas e residências com idosos, autistas ou animais. Para quem estiver em locais com barulho, o uso de fones com cancelamento de ruído ou tampões auriculares pode ajudar a reduzir o impacto sonoro.





