Direita ensaia caminho diferente do bolsonarismo

A reação negativa de lideranças da direita à carta aberta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode indicar uma mudança de posicionamento de setores que, até então, orbitavam em torno do bolsonarismo. O episódio levanta questionamentos sobre a disposição dessas lideranças de seguir alinhadas às orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sobre os rumos que a direita brasileira pretende tomar.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi enfático ao demonstrar insatisfação com o documento. Questionado se havia aprovado o tom da carta, divulgada na quarta-feira (28), após Flávio chegar aos Estados Unidos, respondeu: “Não gostei”. Na mesma ocasião, Valdemar reconheceu a lisura das eleições realizadas no domingo anterior, em contraste com a posição expressa por Flávio, que colocou em dúvida a legitimidade do processo eleitoral.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seguiu na mesma direção ao dizer que as eleições foram regulares e que chegou a hora de “olhar para frente”. Na carta, Flávio promete não fazer isso, pois seguirá, dos Estados Unidos, mobilizando aliados para denunciar a eleição de Lula como ilegítima.
Até no plano de Manaus o “olhar para frente” foi vocalizado. Na terça-feira, o presidente do Diretório Estadual do PL, Alfredo Nascimento, defendeu a necessidade de o partido se preparar melhor se quiser conquistar o poder novamente.
Mesmo na família Bolsonaro há sinais de que a preocupação deve ser com o futuro. Nova estrela do clã, a ex-primeira-dama e senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, não comentou a carta nem endossou o conteúdo.
Tantos sinais podem significar reprovação ou desprezo pelo conteúdo da carta, o que abre a interpretação de que o PL entende já ter pago, ao trabalhar pela candidatura de Flávio Bolsonaro, a dívida com Jair Bolsonaro. Um novo rumo e uma nova liderança (Tarcísio?) deverão ser buscados nos próximos anos, sem o sobrenome do ex-presidente.
Isso porque Michelle dependeria de Jair, o senador eleito Carlos não tem amplitude nacional e o deputado federal eleito Jair Renan não tem idade. Para Flávio e Eduardo, a opção será ficar nos Estados Unidos, longe dos problemas que criaram para si próprios na Justiça brasileira.





