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Bancada do AM se une contra decisão da Receita Federal sobre incentivos da ZFMPolítica
Bancada do AM se une contra decisão da Receita Federal sobre incentivos da ZFM
Parlamentares criticam novo entendimento sobre PIS e Cofins e ameaçam recorrer ao STF caso medida não seja revertida.
01/07/26 às 20:42h
(Foto: Divulgação)
A Receita Federal, órgão responsável por arrecadar impostos, publicou uma decisão que pode encarecer os produtos fabricados em Manaus. A medida reduziu um benefício fiscal importante para as indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM).
A decisão foi publicada na terça-feira (30) por meio da Nota Cosit/Sutri/RFB nº 141/2026 e alterou a forma como dois tributos federais, o PIS e a Cofins, são cobrados nas compras de matérias-primas e insumos enviados de outros estados para as fábricas de Manaus. Até então, essas compras tinham alíquota zero, ou seja, eram isentas desses impostos. Com o novo entendimento, essa isenção passou a ter alcance menor.
Na prática, produtos e componentes comprados fora do Amazonas para abastecer as fábricas da Zona Franca podem ficar mais caros, o que eleva o custo de produção e reduz a competitividade das indústrias instaladas em Manaus. A medida gerou reação imediata da bancada federal do Amazonas.
Mobilização da bancada federal
O deputado federal Saullo Vianna (MDB) classificou a decisão como “extremamente preocupante” e afirmou que a mudança eleva o custo de produção das indústrias instaladas em Manaus.
“Vou mobilizar a bancada federal do Amazonas para cobrar a revisão imediata desse entendimento junto à Receita Federal e ao Ministério da Fazenda. O que está em jogo não é apenas um incentivo fiscal, mas o futuro da economia do Amazonas e de milhares de famílias que dependem desse modelo”, declarou.
(Foto: Divulgação)
O deputado federal Sidney Leite (PSD) afirmou que a bancada pretende analisar a medida de forma conjunta antes de definir uma posição oficial, mas ressaltou a existência de um compromisso firmado durante a tramitação da Reforma Tributária para preservar as vantagens da ZFM.
“Temos um acordo com o governo federal de que nada iria prejudicar o modelo Zona Franca de Manaus. Se uma ação junto ao Ministério da Indústria e Comércio tiver desfecho desfavorável, vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal para garantir o cumprimento do que foi aprovado no Congresso Nacional”, afirmou Leite.
(Foto: Divulgação)
O deputado federal Fausto Júnior (União Brasil) anunciou que apresentará requerimento de informações ao Ministério da Fazenda e defenderá a realização de audiência com a Receita Federal para discutir a decisão.
“A defesa da Zona Franca está acima de qualquer diferença política e exige uma resposta firme para preservar a segurança jurídica e a competitividade do nosso modelo econômico”, disse.
(Foto: Divulgação)
Competitividade e insegurança jurídica
Em nota, o deputado federal Amom Mandel (Republicanos) afirmou que a decisão representa um “grave prejuízo” para a competitividade da indústria amazonense e precisa ser revista com urgência.
“Na prática, a medida aumenta o custo de componentes, peças e matérias-primas enviados de outros estados para as fábricas instaladas em Manaus. Esse benefício tributário sempre existiu para compensar as desvantagens logísticas da região e garantir condições mínimas de competitividade para um modelo econômico protegido pela Constituição”, declarou Mandel.
(Foto: Divulgação)
O deputado também argumentou que a nota da Receita Federal gera insegurança jurídica ao restringir um benefício historicamente associado ao modelo da ZFM e informou que a bancada já avalia medidas legislativas e judiciais para reverter o entendimento.
No Senado, Plínio Valério (PSDB) também criticou o novo entendimento.
“Mais uma tentativa de atingir a ZFM. O próprio STJ e o STF já consagraram que as remessas para a Zona Franca são tratadas como exportação para o exterior. Lá vamos nós de novo”, afirmou o senador.
(Foto: Divulgação)
O senador Eduardo Braga (MDB) afirmou que já acionou o Ministério da Fazenda para contestar o entendimento da Receita Federal. Segundo ele, em conjunto com o senador Omar Aziz, foi apresentado um parecer jurídico sustentando que a interpretação da Receita contraria a Constituição Federal e decisões consolidadas dos tribunais superiores.
“A defesa da Zona Franca de Manaus não admite retrocessos. A Zona Franca é um direito constitucional e continuará sendo defendida com firmeza para proteger os empregos, a indústria e a economia do Amazonas”, afirmou Braga.
Os deputados federais Capitão Alberto Neto (PL), João Carlos (Republicanos), que exerce o mandato durante a licença de Silas Câmara, e Átila Lins (PSD) foram procurados pela reportagem, mas não responderam até o fechamento desta matéria.