Afastados da PF por Mendonça, Rodrigues e Almada fizeram carreira no Amazonas

Os delegados da Polícia Federal Andrei Rodrigues e Leandro Almada foram afastados nesta terça-feira (8/9) dos cargos de diretor-geral da PF e diretor de Inteligência Policial, respectivamente, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Ambos fizeram carreira em postos de comando na superintendência da corporação no Amazonas antes de chegarem à direção nacional da PF.
Andrei e Almada foram afastados preventivamente por supostamente serem os responsáveis pelo relatório de inteligência usado pelo também ministro do STF Alexandre de Moraes para pedir uma investigação das condutas de Mendonça nos inquéritos do banco Master e de fraudes no INSS.
Mais antigo na corporação, onde está desde 2002, Andrei Rodrigues atuou na Superintendência da Polícia Federal do Amazonas entre 2003 e 2006. Nesse período, chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes, substituindo o delegado amazonense Sérgio Fontes. A indicação partiu do então superintendente José Ferreira Salles.
Depois, ele atuou no Rio Grande do Sul e se aproximou do PT ao comandar a segurança da então candidata à Presidência da República Dilma Rousseff, em 2010. Em 2022, voltou a assumir esse posto na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Leandro Almada teve carreira ainda mais longa no Amazonas, para onde foi assim que nomeado, em 2008, permanecendo até 2023. Integrou inicialmente o Núcleo Operacional da Delegacia Executiva Regional, passou pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes, assim como Andrei, e, entre 2021 e 2022, foi superintendente geral da corporação no estado.
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O caso Marielle Franco
Por indicação de Rodrigues, Almada foi nomeado pelo então ministro da Justiça e hoje ministro do STF Flávio Dino para a superintendência da PF no Rio de Janeiro, com a missão de destravar o inquérito sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco. A meta foi alcançada com a responsabilização dos irmãos Brazão: Domingos, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e Chiquinho, ex-deputado federal, hoje presos pela morte da ex-vereadora.
Julgamento no STF
O afastamento de Andrei e Almada será analisado pela Segunda Turma do STF em sessão virtual, aberta pelo presidente do colegiado, ministro Luiz Fux. Além dele, a Segunda Turma é formada pelos ministros Gilmar Mendes, Kássio Nunes Marques, Dias Toffoli e André Mendonça. A sessão será encerrada ainda hoje, às 23h59.
O julgamento foi interrompido por volta de 9h30, no horário de Manaus, por um pedido de vistas de Gilmar Mendes. Fux e Nunes Marques, porém, já haviam formado maioria ao lado de Mendonça para confirmar o afastamento dos dois delegados.
Já a Primeira Turma, que não pode revisar decisões da Segunda, tem entre seus integrantes os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, que preside o colegiado, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Eles ainda vão se pronunciar no plenário da Corte sobre a investigação pedida por Moraes com base nos relatórios dos delegados.
Assim, o episódio reforça como dois nomes formados na superintendência do Amazonas chegaram a postos-chave na cúpula da Polícia Federal e hoje estão no centro de um dos embates mais tensos entre a corporação e o Supremo Tribunal Federal.





