Onde o cuidado não tem hora: Moacyr Alves celebra uma bela história de acolhimento

Localizado no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, o Abrigo Moacyr Alves chega aos 30 anos de atuação sob o comando do Núcleo de Amparo Social Tomás de Aquino consolidado como uma das principais instituições do Amazonas no acolhimento de pessoas com deficiência e com doença graves e na oferta de serviços de reabilitação pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A história da entidade pode ser contada por meio de seus acolhidos. Lili, por exemplo, completou 50 anos de idade e vive na instituição desde os 12 anos. Diagnosticada com demência precoce, ela recebe acompanhamento permanente da equipe multiprofissional do abrigo. Já Emanuel chegou recentemente ao local. Com três anos de idade, convive com autismo e hipotireoidismo e participa diariamente das atividades oferecidas pela instituição.

Atualmente, 63 pessoas vivem sob os cuidados permanentes do Abrigo Moacyr Alves. Neste ano, a entidade inaugurou uma nova enfermaria destinada aos acolhidos que necessitam de acompanhamento contínuo. O espaço possui capacidade para 14 pacientes e funciona com monitoramento durante 24 horas por dia, realizado por profissionais especializados em casos de alta complexidade.
Segundo a diretora da instituição, Claudete Ciarlini, a estrutura foi planejada para oferecer melhores condições de atendimento aos acolhidos que demandam cuidados permanentes, contribuindo para a qualidade de vida dos pacientes, pois além de ser uma simples enfermaria, o lugar é o lar destes acolhidos.
“Em 1996 nós assumimos o Moacyr Alves, a pedido do então secretário de Trabalho e Ação Social, Lupércio Ramos, pois o local estava muito degradado”, conta Claudete, explicando a origem da ligação do núcleo, um organismo dentro do Centro Espírita Tomás de Aquino. Antes, o abrigo funcionou por quase 10 anos sob a administração pública.

O trabalho de cuidar de acolhidos que demandam atenção 24 horas por dia é um desafio profissional que apaixona a enfermeira Karley Souza, uma das responsáveis pelos cuidados destes pacientes, todos disponíveis para adoção. “Eu amo trabalhar com eles, pois além do envolvimento técnico a gente aprende muito com eles”, destaca.
Além da nova enfermaria, o abrigo também ampliou sua estrutura física com a construção de novos dormitórios destinados a diferentes perfis de acolhidos, incluindo espaços específicos para cadeirantes e para aqueles que possuem maior autonomia de locomoção. Um dos blocos recebeu o nome de “Tia Dani”, em homenagem à babá de infância de um empresário que contribuiu financeiramente para a execução da obra.
O financiamento dos serviços prestados no Moacyr Alves é um dos desafios da administração, que mantém parceria com o Fundo de Promoção Social (FPS) do Governo do Amazonas para os serviços de assistência aos acolhidos e com o Ministério da Saúde para a manutenção do Centro Especializado de Reabilitação, o CER, que atende o público em geral encaminhados pelo complexo de regulação do Sistema Único de Saúde.
Além dessas fontes, o abrigo também conta com doações voluntárias de empresários e pessoas comuns que podem doar pelos seguintes canais:
- Doação via PIX: CNPJ 22.812.325/0001-01;
- Depósito bancário: Bradesco AG 3734-6 | C/C 4780-5
Processo de expansão em desenvolvimento
O CER é fruto do processo de expansão que a transformou uma casa de acolhimento em um referência na reabilitação de pacientes com doenças ou transtornos graves e complexos. O CER do Moacyr Alves é o de maior complexidade do SUS, pois trabalha pacientes que precisam de reabilitação em quatro níveis: física, intelectuais, visuais e auditivas
De acordo com o coordenador do CER-4, Flademir Inácio de Castro, são entre seis e sete mil atendimentos realizados mensalmente, beneficiando pessoas de Manaus e do interior do Amazonas. Para atender essa demanda, ele conta que existe um equipe multidisciplinar formada por profissionais de serviço social, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e nutrição. O atendimento médico inclui especialidades como fisiatria, clínica médica, neurologia, psiquiatria, ortopedia, otorrinolaringologia e oftalmologia.
A porta de entrada para os serviços é a consulta com o médico fisiatra, responsável pela avaliação inicial e pelo encaminhamento do paciente para os programas de reabilitação necessários.
Entre os beneficiados está a paciiente Shirley Guedes Barros, que realiza tratamento fisioterapêutico na instituição há dois meses para combater dores e dormências no corpo. Ela também acompanha a recuperação do filho, vítima de um acidente de motocicleta que resultou em tetraplegia. Após o início do tratamento multidisciplinar no Moacyr Alves, ele voltou a apresentar movimentos nos braços.

Outra área de destaque é o serviço de psicologia, que registra elevada procura de pacientes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O coordenador do serviço de Psicologia, Tércio Castro, são realizados, em média, cerca de 180 atendimentos semanais apenas nesse setor, principalmente com pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Além destes serviços de saúde, o Moacyr também tem uma atuação dentro da própria comunidade do Alvorada, na Zona Centro-Oeste, oferecendo cursos, como corte e costura e informática, e atividades sociais por meio de músicos voluntários que participam de eventos em datas especiais.
A combinação entre recursos públicos do SUS e o trabalho filantrópico desenvolvido pelo Núcleo de Amparo Social Tomás de Aquino permitiu que o Abrigo Moacyr Alves ampliasse sua atuação sem abandonar sua missão original de acolhimento. Três décadas após o núcleo ter assumido a direção do abrigo, a entidade mantém assistência permanente aos moradores acolhidos e oferece serviços de reabilitação que atendem milhares de amazonenses todos os meses.





